'Se as coisas são inatingíveis...ora! Não é motivo para não querê-las... Que tristes os caminhos, não fora a mágica presença das estrelas!" (Mário Quintana)
 

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Quarta-feira, Março 03, 2010
Mais um dia na vida de uma mãe

Há alguns anos, escrevi sobre meu dia de mãe. Felipe era pequenino, não ia à escola ainda, usava fraldas, era mais dependente, assistia Barney. Ricardo trazia bilhetes da escola, brincava de LEGO, cabia em meu colo. Três anos se passaram, os meninos cresceram, Ricardo já não pega mais carona pra ir pra cama, Felipe já assiste os mesmos desenhos que o irmão, já está no primeiro ano, usa perfume. Minha correria aumentou, os cabelos brancos também, mas meu amor por eles continua sem dimensão...


Mal acordo, já estou de olho no relógio, pensando no que fazer para o almoço dos meninos, no que por nas lancheiras. Tomo um leite e já vou separar a roupa pra lavar, enquanto os meninos não acordam.

Eles acordam, beijos e abraços, e lá vou eu dar café da manhã para os dois. Ponho a roupa na máquina. Pego Felipe pra fazer lição na sala e Ricardo na cozinha. Lições feitas, volto pra cozinha e começo o almoço. Separo uma briga daqui, dou uns berros ali, espio o que estão fazendo e lá se vai a hora.

Começa a correria: fazer meninos almoçarem, escovar os dentes, vestir uniforme e verificarem mochilas, enquanto faço as lancheiras. Tudo tem de estar pronto às 12:30h, para esperar a perua escolar. A perua chega, beijos e abraços, vão pra escola.

Ufa! Vou respirar. Volto pra cozinha e a bagunça me prende. Lembro que não almocei, como qualquer coisa e vou pra sala, ver um pouco de TV. Na sala, vejo a bagunça deles. Começo a arrumar e limpar. Melhor ver TV no quarto. Dou de cara com o cesto de roupa pra passar. Passo parte das roupas, dou um “tapa” nos quartos e nos banheiros, sempre de olho no relógio. Ainda bem que meus alunos ainda não precisam de mim. Volto pra cozinha, hora de fazer o jantar. Os meninos chegarão em uma hora, famintos.

Eles chegam, beijos e abraços, um vai pra TV, outro pro computador. Um me chama e diz que quer panquecas iguais as do desenho, o outro pra eu ver como ficou o jogo que está fazendo no computador. Vejo o jogo, prometo as panquecas pro sábado e peço pra Ricardo achar a receita pra mim na Web. Jantam. Lavo a louça, vejo se eles têm lição de casa e começa a briga pelo banho. Os dois de banho tomado e com pijama, Benê chega. Enquanto jantamos, vejo TV.

Hora de irem pra cama. Estão com fome de novo. Comem, escovam dentes, deitam. Felipe “precisa” de minha mão para dormir. Conto uma história, rezamos. Os dois, no escuro, começam a tagarelar, dar risadas e eu lá, segurando a mão. Dou umas broncas, ameaço sair, dizem que me amam e lá pelas 23h deixo os dois dormindo.
 Os dias não são todos iguais. Às vezes, deixo a bagunça de lado pra escrever ou brincar com os filhotes.
A verdade é que, quando o dia termina, agradeço a  Deus por minha família e por saber que minha vida de mãe cadeirante é tão feliz e louca como a de muitas outras mães por aí.