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Sexta-feira, Julho 31, 2009
Antes que Julho acabeNeste mês, o Maré completou sete anos. Nem sei se posso contar este último ano, porque deixei meu blog meio (quase totalmente) abandonado. Se fosse casamento, poderia ser a tal crise dos sete anos. Mas, comparações à parte, este blog ainda é minha referência. Afinal, daqui saíram tantos textos, republicados em tantos outros sites; aqui foi o ponto de partida pra meu livro escrito com a Angela; aqui compartilhei minha gravidez, as reinações de Ricardinho e tantas emoções. Não sei se é fase, mas o fato é que, neste momento, não tenho mais vontade de escrever longos e sérios textos, embora assunto não me falte. Talvez seja só cansaço. Talvez precise de uma pausa ou uma mudança em minhas falas. Acho que cansei de tanta seriedade. Neste período de ausência, muitas coisas boas aconteceram, assuntos pra outros posts. Este post é pra dizer que estou por aqui, hoje molhando os pés, mas com a promessa de um grande mergulho.
Segunda-feira, Março 30, 2009
Meu Reinador Hoje, Ricardinho completou 10 anos! Nasceu pequenino e agora está tão grande! Certa vez ouvi de sua professora: "Ricardo não liga para a nota que tira. O conhecimento já lhe basta.". Em poucas palavras, ela disse tudo. Ricardo e conhecimento são como polos opostos do imã, atraem-se. Não importa o assunto, nem o nível a que ele se refira, o importante é conhecer e, quando possível, utilizar o aprendido. Seu canal favorito? Discovery Channel. Programa favorito? Caçadores de Mitos. Engana-se quem pensa que é menino sério. Adora desenhos animados (de Discovery Kids a Cartoon Network) e livros de terror, mistério, suspense. Divirto-me ouvindo suas gargalhadas com os desenhos que assiste. Divirto-me pedindo pra que não me conte o final do livro lido, sabendo que ele fará questão de contá-lo. Sabe ser muito parecido com o pai, não só fisicamente, e curte isso. Sua sede pelo novo vem do pai, é genético. Seu humor também e muitas outras coisas. É, não é mais o Ricardinho, filhotinho. É meu filhão, meu grandão, meu amorecão. E aquele amor sem medida que senti em seu nascimento, dia a dia vai ficando mais "ão" também. Parabéns, filhão, amorzão de minha vida! Obrigada por fazer meu coração ficar cada vez mais recheado de amor.
Domingo, Novembro 30, 2008
Meu bebê está crescendo! Hoje Luís Felipe completou 4 anos! O tempo está voando e ele crescendo tão rapidamente... Todas as mães querem seus filhos sempre bebês, mas, ao mesmo tempo, é tão bom e tão lindo acompanhar cada fase deles, cada progresso, cada mudança. Lipinho já diz ser grande. Super independente, decidido, determinado, dizem que é a minha cara (muitas vezes me reconheço nele) e isso me emociona. É o meu docinho, meu segundo anjo, meu companheiro, meu grude. Que Deus continue abençoando meu anjinho, para que mantenha sua força e determinação em busca daquilo que lhe faça feliz. Parabéns, doçura!
Terça-feira, Outubro 14, 2008
Opções Comecei bem cedo minha vida escolar. Embora, em meu tempo de criança não fosse comum, em minha casa todos foram à escola desde o jardim da infância, numa excelente escola escolhida por meus pais. Eu adorava! Fazíamos teatro (lembro ainda da turminha representando a música "A linda Rosa Juvenil", eu era um dos matinhos crescendo), participávamos da bandinha (adorava tocar triângulo e reco-reco) e, no lanche, meu preferido era pão com carne moída bem quentinha. Eu devia ter entre quatro e cinco anos. Aos seis anos, no meio do ano, tive de fazer uma pausa, por ter ficado doente e paraplégica. Voltei aos nove, no melhor lugar para minha reabilitação e estudo, a AACD. Minha mãe, sempre preocupada com a educação, alfabetizou-me em casa. Pulei a primeira série, entrei logo na segunda. Meu dia na AACD era repleto de atividades: pela manhã, estudo; à tarde, lazer, fisioterapia, atividades extras que me faziam interagir com as outras crianças, de todas as idades e deficiências.
Depois da AACD, meus pais não tiveram muitas opções, pois tive de estudar, primeiro, numa escola que possuía rampas, longe de casa, depois, numa onde me "aceitaram". Tive muita sorte, pois na época, não existia lei alguma que garantisse às crianças com deficiência o estudo em escola regular e, ainda assim, meus pais encontraram uma diretora que se dispôs a mudar uma turma inteira de sala, somente para me receber. Minha sorte foi ainda maior, pois fiz excelentes amigos, daqueles pra vida toda, e tive professores inesquecíveis. Mais sorte ainda por, mesmo sendo a única com deficiência, jamais ter sido discriminada ou sofrido preconceito.
Se meus pais não tiveram opções, eu tenho.
Ricardinho, meu filho, vai à escola desde um ano e dez meses. Hoje, na terceira série (4°ano), já mudou de escola várias vezes. Ele não tem deficiência alguma, as escolas não lhe recusam a matrícula, assim posso escolher a que acho melhor para ele. É um menino extremamente inteligente, questionador, com fome de informação.
Recentemente, no meio do ano, Ricardo mudou para uma nova escola. Embora a anterior possuísse laboratórios de informática bem equipados, iniciação à robótica, portal eletrônico, tudo para atender as necessidades de nosso tempo, faltava o principal: recurso humano. Faltava professor com autoridade, com vontade de ir além das apostilas e da decoreba. Faltava incentivo à leitura, à escrita, à cultura e a tudo que desenvolvesse o aluno no todo. Sua escola nova não possui a imponência da antiga, nem tanta tecnologia. Professores, diretoras e funcionários conhecem os alunos e pais pelos nomes. Não há câmeras vigiando os alunos por toda escola, mas sim inspetores cuidando deles. As cartinhas de ocorrência não são a maior arma do professor, mas sua autoridade em sala e sua didática dinâmica, atenta às diferenças de cada um. É uma escola aberta à diversidade humana, que recebe alunos sem distinção, pois ter ou não deficiência é apenas parte das características individuais do aluno. Acredito ser esta a melhor opção pra ele, no momento. Aprendi com todas essas mudanças o quanto é importante poder escolher o melhor para meus filhos e que nem sempre o melhor para uma criança, é o melhor para outra. Muitos pais, ainda, assim como os meus, não têm o direito de escolha, pois muitas escolas ainda recusam matricula aos "diferentes", alegando não estar preparadas. Porém, as escolas também não estão preparadas para crianças como Ricardo. São escolas que preferem o aluno mediano, aquele que copia o que é imposto, sem questionamentos ou interesse por ir além da matéria dada, enfim, o que não dá trabalho e nem exige mais do que a velha fórmula de ensino possa dar. Escolas que fingem que os tempos não mudaram, que as crianças não mudaram e que, apesar de toda tecnologia e recursos que possuem, se assustam com o novo, insistindo em negar que cada ser é único e que somente através do convívio com as diferenças é que aprendemos a ser pessoas completas.
Quinta-feira, Outubro 02, 2008
De volta ao meu aconchegoDepois de ouvir dela que meu blog mais parece lagoa que Maré, e que há o risco de criar mosquito da dengue por aqui, decidi mexer nas minhas águas. Não tenho um texto novo ainda, então publicarei uma entrevista bem legal que dei há uns dois anos, quando lancei meu livro: A Lição de MarcelaMaria Angélica de Moraes Apresentar os cadeirantes como pessoas comuns. Foi esse o objetivo de Ângela Carneiro e Marcela Cálamo quando escreveram Rodas, pra que te quero! (Editora Ática). Baseado na infância de Marcela, paraplégica desde os seis anos de idade, o livro traz a história de uma garota que tenta seguir sua vida mesmo depois de uma doença que a obrigará a usar cadeira de rodas pelo resto da vida. Embora seja pontuada por alguns momentos de pura ficção, a obra é um retrato bastante fiel das dificuldades enfrentadas por Marcela em sua infância. "Alguns livros infantis descrevem as crianças deficientes como crianças especiais. Mas se ela é especial, ela é diferente, e isso é tudo que nós não queremos. A gente quer ser igual a todo mundo", conta a autora. Confira a entrevista exclusiva que ela concedeu ao Zine. ZINE - Como você ficou paraplégica? Marcela Cálamo - Eu tinha seis anos. Num momento estava andando e no outro não mais. Quando senti minhas pernas perdendo firmeza, meus pais me levaram ao médico da família, em Santos, onde morávamos. Fui andando à casa do médico e cheguei nos braços de meu pai, já sem poder andar. Há cerca de quatro anos, soube através de uma ressonância que minha lesão foi causada por um forte infecção que atingiu minha medula. ZINE - Que sentimentos você teve desde que parou de andar? Marcela - Por ter ficado paraplégica muito novinha, não pensava muito em minha nova condição. Fui crescendo dentro dessa nova realidade e me adaptando a ela naturalmente. Até meus 14 anos, acreditava que voltaria a andar, talvez pelo fato de meus pais buscarem todas as alternativas possíveis de cura pra mim. De repente, parei de pensar nisso, sem sofrimento, sem trauma, simplesmente parei de pensar. A vida continuou em seu curso, sempre me trazendo o melhor. ZINE - Como foi aprender a ter os movimentos "diferentes"? Como foi a participação da família e quanto tempo durou a adaptação? Marcela - Crianças são seres altamente adaptáveis e assim foi comigo. Eu era uma criança muito ativa e feliz e a minha nova condição não mudou isso. Depois da fase hospitalar, que durou quatro meses, veio a reabilitação na AACD, em São Paulo, três anos essenciais em minha vida . Nesse período aprendi que deveria achar jeito de fazer tudo que quisesse e não ficar esperando que me dessem tudo nas mãos ou que fizessem por mim. Essa também foi a orientação dada a meus pais, para que eu pudesse ser o mais independente possível. Minha mãe não me tratava de forma diferente da que tratava meus irmãos e exigia de mim as mesmas coisas, impunha as mesmas obrigações, era linha dura. Meu pai fazia de tudo pra que eu me divertisse como antes. Eu amava andar de bicicleta. Uma vez, depois da paraplegia, ele me deu de presente uma bicicleta nova. Quando íamos à chácara de minha tia, ele me colocava na bicicleta, ficava ao lado me segurando e descíamos um ladeirão que tinha na rua dela. Era demais e eu nem sentia falta de pedalar. Continuei a brincar na rua junto com minhas irmãs e irmão, a ir à escola, como qualquer outra criança. A fase da reabilitação também foi importante pela convivência com outras crianças com deficiência, por ver que eram iguais a mim e a quaisquer outras crianças, felizes. ZINE - Como você vê a questão do preconceito? Marcela - Preconceito é gerado por falta de informação, de conhecimento, de convivência. Acho que tudo que é novo assusta e, muitas vezes, afasta as pessoas. É comum sim, numa determinada faixa etária, a fase das baladas principalmente, perder "amigos". As pessoas, em geral, não sabem como lidar com a nova situação, sentem-se pouco à vontade, enchem-se de dó e acabam se afastando. ZINE - Quais as maiores dificuldades você enfrentou e ainda enfrenta como cadeirante? Marcela - As maiores dificuldades ainda são as físicas. Onde quer que se vá, sempre há algo que impede ou dificulta as ações de um cadeirante. Degraus, banheiros não adaptados, portas estreitas, rampas muito inclinadas, carpetes, balcões altos, provadores minúsculos, etc. As cidades, em geral, estão muito longe de preparadas às pessoas com deficiência. Embora haja muitas leis em prol da pessoa com deficiência, na prática a coisa funciona lentamente. Temos leis de cotas de emprego, mas não temos transporte adaptado suficiente para chegar ao trabalho. Temos direito a vagas de estacionamento reservadas, mas raramente as encontramos desocupadas, pois pessoas sem deficiência as ocupam primeiro. Claro que muitos avanços foram conseguidos, mas ainda há muito a se fazer e cobrar. ZINE - Que atitudes uma pessoa que não é portadora de deficiência nunca deveria tomar frente a uma portadora de deficiência (que poderia ofendê-la)? E que atitudes são as mais corretas, que demonstram respeito e não preconceito, pena ou compaixão? Marcela - As pessoas, em geral, diante de uma pessoa com deficiência tem o impulso de ajudá-la, porém, nem sempre precisamos de ajuda. O correto sempre é oferecer ajuda, perguntar como ajudar, antes de ir pegando, empurrando, levantando a cadeira de rodas. Outra coisa importante é sempre falar diretamente com a pessoa e não com seu acompanhante. Quanto ao preconceito, pena, compaixão, acredito que isso deixa de existir com a convivência. Quando for comum vermos pessoas com todo tipo de deficiência entre todos, trabalhando, estudando, divertindo-se, esses sentimentos deixarão de ser despertados. ZINE - Como foi a sua adolescência? Poderia ressaltar pontos bons e ruins? Marcela - Costumo dizer que sempre tive muita sorte e que a vida é muito generosa comigo. Graças a ter pessoas especiais em meu caminho, família, amigos, tive uma adolescência com os mesmos conflitos e alegrias de qualquer outro adolescente. Estudava, fazia parte de um grupo de jovens na Igreja Católica e com essa turma me divertia muito. Era o tempo dos bailinhos na casa de amigos, barzinho com música ao vivo, raro era o final de semana sem algo pra fazer. Nessa fase conheci meu marido, que freqüentava um grupo de jovens de outra paróquia. ZINE - Hoje você é casada e tem filhos. Poderia dar algumas dicas/lições para quem ainda está no começo da vida adulta (adolescentes) e é portador de alguma deficiência, mas ainda está com dificuldades de aceitar ou até mesmo um certo medo do futuro? Marcela - Na adolescência, aceitei o convite de minha amiga Mary para participar do grupo de jovens. Por participar dele, conheci Benê e com ele me casei e formei uma linda família. Depois da faculdade, uma outra amiga, também desse grupo de jovens, sugeriu que eu desse aulas particulares. Aceitei e dou aulas há quase 20 anos. Quando frequentava chats na Internet, um amigo virtual sugeriu-me fazer um blog. Experimentei e descobri que tinha muito a escrever. Tanto que do blog meus textos se espalharam. Quem sabe que vida eu teria se tivesse recusado o convite de minha amiga Mary para fazer parte do grupo dela? Ou se eu não tivesse começado a dar aulas ou feito meu blog? A vida é feita de oportunidades, precisamos estar atentos e dizer sim a elas, sem medo do novo.
Quinta-feira, Junho 12, 2008
Dia dos namoradosEm 19 de outubro deste ano, Benê e eu completaremos 17 anos de casados. Às vezes sinto que o tempo não passou... será que passou?* Amor, Namoro-te todos os dias Começamos há muito tempo, Para mim em um tempo antes do tempo Tanto, que fazias parte de mim, antes que eu existisse Ao ver-te, lancei-me ao ar, Planei a tua volta, Caí em queda livre Na certeza de teu apoio Sabia estavas lá, mesmo sem ver-te Sabia do teu amor, mesmo antes de amar-me Te achava em meus braços, mesmo antes do abraço Gozava o sabor de teus lábios, mesmo antes do beijo Amor meu Namorada minha Minha vida Eternidade é teu nome Sempre minha Que me antecedeu E que me continuará Sempre teu, amor. Feliz dia dos namorados, beijos amor teu. *Recebi hoje, por e-mail, do amor de minha vida.
Sexta-feira, Maio 30, 2008
FotinhasMeninos brincando (olha o papai lá no fundo!)  Dia das mães
Quarta-feira, Maio 07, 2008
Educação InclusivaSempre faço questão de me colocar como exemplo dos benefícios que uma escola regular traz às crianças com deficiência. Sou o que sou porque estudei no mesmo ambiente de meus irmãos, sem discriminação. Naquele tempo, infelizmente, eu era a única com deficiência nas escolas que frequentei. Hoje, porém, mesmo que vagarosamente, esse número está aumentando. Abaixo, uma entrevista excelente, publicada na Rede SACI. É meio longa, mas vale ler até o fim. Doutora em Psicologia Educacional e professora do Departamento de Metodologia de Ensino da Faculdade de Educação da Universidade de Campinas (Unicamp), Maria Teresa Eglér Mantoan, é referência nacional no que se refere à Educação Inclusiva. Confira essa entrevista exclusiva ao Jornal da AME. Comentando uma matéria publicada no Jornal da AME, a senhora afirmou que não concorda que a inclusão seja um processo, por que?Não concordo que a inclusão seja um processo porque não é a inclusão que tem que ser gradativa, lenta, mas, pelo contrário, rápida e radical para que detone o processo de transformação da escola. E quanto mais rápido esse processo de transformação da escola para umaescola de melhor qualidade ocorrer, mais a inclusão será realidade. Então a inclusão não é processual. Seria processual se você entender da seguinte forma: "hoje as escolas regulares podem atender tais e quais crianças e os casos mais graves ficam nas instituições". Atendimentos clínicos, especializados, podem e devem ser realizados nas instituições, mas escola é um outro assunto. As instituições em geral reagem defendendo que a inclusão é um processo, que as escolas regulares não estão preparadas, que elas não atendem bem, mas para elas melhorarem, elas precisam de um desafio, precisam assumir a responsabilidade de trabalhar com todas as crianças, indistintamente, têm que se reconhecerem competentes e buscarem a competência para que a inclusão ocorra. Os professores estariam, hoje, preparados para atender as crianças especiais?Ninguém está preparado para qualquer função, muito menos a educacional, sem a experiência prática. Vai-se adquirindo acompetência quando trabalha-se com o aluno e vai buscando-se atender a necessidade dele. É preciso que o aluno esteja lá para que seprepare. Uma mulher não está preparada para o casamento se não vivero casamento, com todo o empenho de acertar. E cada dia há uma novidade, um desafio, uma situação nova que vai testar sua competência e vai dar oportunidade de ultrapassar suas limitações, se quiser continuar com essa opção de vida. Da mesma forma, os profissionais devem ir à luta. O ensino só vai mudar se houver uma prática consciente. Qual a preocupação hoje da Unicamp no que se refere a formação de professores em relação a educação inclusiva?A preocupação da Unicamp com a formação dos professores sempre existiu dentro desta visão de que todos os professores devem estar preparados para atender a todas as crianças. Mais precisamente nestes últimos anos quando o currículo da Faculdade de Educação da Unicamp foi modificado, foram excluídas as habilitações e especializações para educação de pessoas com deficiência e também educação infantil, supervisão e administração escolar, porque a idéia é a formação do educador no sentido amplo, formação de uma pessoa que tem que dar conta de todas as crianças e não especializaralguém em uma ou outra deficiência, ou um ou outro trabalhoespecífico da escola. A Unicamp não está preocupada com a preparação para a inclusão, mas em formar professores para escolas abertas às diferenças e não com a inclusão em si. Quer preparar o profissional da educação que tenha consciência que a escola é para todos e deve buscar a competência pelo desafio que seus alunos representam a cada ano e a cada momento na sala de aula. A profissão de educar não é uma profissão que implica num conhecimento fechado adquirido a partir de cursos universitários ou alternativos, mas implica em consciência moral, social, do nosso papel como educadores na construção de uma sociedade cada vez melhor, cada vez mais preocupada com o desenvolvimento do ser humano. Não temos especialização em nenhuma habilitação. Não consideramos que a habilitação específica seja um avanço, mas um grande retrocesso da educação hoje, porque precisamos de professores que entendam de educação e não de deficiência. Educação para todos. Com essa formação mais generalista, o profissional sai da universidade preparado para também atender a pessoa portadora de deficiência?Mas claro, porque todas as crianças são crianças. Não consideramos que entender de Braille, por exemplo, é uma especialização, ou conhecer a língua de sinais forma um especialista em educação, ouqualquer outro processo que facilite a comunicação das crianças deficientes nas escolas. Esses são recursos, são linguagens que o professor deve aprender para no caso de se ter na escola uma criança surda possa se trabalhar numa visão bilingüística, mas isso não significa uma formação de especialista. As habilitações e todas as formas de capacitar o professor para educação de deficientes, na verdade não tem nada de especial, são apenas recursos adicionais, mas não formação educacional especificamente. Estamos formando pessoas numa visão ampla, numa visão de segurança, de competência. Na Unicamp, há o Laboratório de Estudos e Pesquisas em Ensino e Diversidade (Leped). Desde quando ele existe e qual sua função?Eu sou a coordenadora do Leped desde 96 quando o fundamos junto com um grupo de alunos. Sua finalidade é reunir pessoas, implementar estudos e pesquisas que visam justamente a entender as diferenças nas escolas e promover o ensino aberto a essas diferenças sem discriminar ninguém, sem preconceitos, numa educação que é justa e solidária. As pesquisas são feitas em escolas da rede pública de ensino e visam conhecer como as escolas no momento atuam e em que sentido têm que aprimorar a qualidade de seu ensino, para atender a todas as crianças e tornarem-se inclusivas. Quando se fala em transformação da escola, do ensino, isso não implicaria em mudanças na política educacional?Claro. Infelizmente as políticas educacionais e mesmo a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) deixam lacunas muito grandes que servem para manter o ensino tal qual ele é, principalmente o ensino especial, que é o grande problema que nós temos para se alcançar uma educação verdadeiramente inclusiva. Porque existindo essa modalidade educacional - a educação especial - sempre há uma possibilidade de alguns não freqüentarem o ensino regular e havendo essa possibilidade a inclusão não se efetiva. É muito difícil se falar em ensino inclusivo no Brasil. O que nós temos realmente são sistemas de ensino que, por terem autonomia, excluíram o ensino especial de suas redes. Então não temos verdadeiramente uma condição de ter uma escola para todos. Então a senhora não é a favor da educação especial?Absolutamente. Eu sou inteiramente contra o ensino especial, as classes especiais e todo tipo de atendimento que a educação especial propõe para atender os deficientes, mesmo os deficientes estando em salas regulares, com apoio de professores itinerantes. Porque, na verdade, eles continuam mantendo essas crianças dentro das escolas, mas discriminando-as, ora porque elas têm que sair para ter um atendimento diferente, ora porque têm um currículo apropriado para elas, ora porque elas têm que ter um reforço senão não dão conta do conteúdo da escola... E com isso a escola regular não tem motivos para mudar, de maneira a acolher a todos. Não são só as crianças deficientes que não tem acesso ao ensino regular. Aliás esse segmento é muito pequeno perto do número de crianças que estão sem escola hoje. Quando falamos em educação inclusiva, para todos, não estamos falando exclusivamente da inserção de crianças deficientes no ensino regular, estamos falando desse grande problema da escola brasileira que é de excluir grande número de crianças das salas de aula e de adotar medidas excludentes para os alunos que conquistam um lugar dentro da sala, deficientes ou não. Além do ensino especial, qual outro obstáculo ou resistência poderíamos encontrar para se efetivar a educação inclusiva?O preconceito social, familiar. Muitos pais não acreditam nas possibilidades dos filhos ou mesmo têm medo de enfrentar um processo inclusivo do filho, porque já se acomodou no ensino especial e não tem grandes expectativas com relação a essa criança. A formação dos professores. A própria legislação e a política. Tudo isso contribui para impedir que a escola para todos seja uma realidade. Em seu livro "Compreendendo a deficiência mental", escrito em 87, a senhora ressaltou o inestimado valor do professor especializado no aluno. Já naquela época falava da inclusão, embora abordando de uma outra maneira. Qual o percurso que a levou a diferenciar integração de inclusão?Meu próprio percurso. Porque eu sempre lutei para que as crianças que eram atendidas em instituições, tivessem uma passagem breve por essas instituições e não ficassem ali definitivamente. Mas quando eu percebi a facilidade com que elas conseguiam ultrapassar essa barreira da escola regular, eu comecei a olhar o quanto a escola regular poderia acolhê-los, sem que eles precisassem passar por esse pedaço marginalizado que é o ensino especial. Foi principalmente a convicção de que a melhor maneira de se aprender de se evoluir é a partir do meio que nos desequilibra, que exige reações, ultrapassagem de nossos limites, e não pode ser um meio acomodador, que tenha todas as adaptações pensadas de antemão, mas que o indivíduo possa buscar suas saídas. Qual seria sua mensagem para as pessoas que atuam na área da educação para que a educação inclusiva se concretize?Que cada vez mais melhorem sua prática profissional, que cada vez mais dêem a todas as crianças o que elas esperam da escola, que é crescerem felizes. Que essas crianças aprendam a não discriminar, a serem justas e que vivam na escola o que elas têm direito: a alegria de conviver com crianças da sua idade e com as diferenças.
Quinta-feira, Abril 24, 2008
LacradosQuando eu era criança, minha mãe vivia de olho em mim e à primeira tentativa de deixar o dedo indicador de lado e usar o médio em tarefas como segurar o lápis, desatar nós, ela já dizia "use o dedo, menina!". Ter menos força e habilidade no indicador da mão direita foi uma das seqüelas de minha lesão na medula.
Hoje, sem o policiamento de minha mãe, automaticamente o indicador fica de lado, mas ao me dar conta, eu o ponho pra trabalhar. Porém, existem algumas tarefas que meu pobre e fraquinho dedo não tem a menor chance de executar e, muitas vezes, nem o médio, nem dedo algum consegue: abrir certas tampas e selos de proteção. Tenho algumas experiências frustrantes:
Certa vez, comprei um antisséptico bucal e, depois de lutar pra abrir a tampa, desisti e liguei para o SAC. Fui instruída a pressionar as laterais da tampa, girando-a ao mesmo tempo. Pensei: "como meu pobre indicador vai conseguir fazer isso?" Tentei, tentei e tentei. Estava quase desistindo, quando consegui. Perguntei à atendente do SAC o motivo daquela tampa ser aberta de tal forma.
-É para evitar que crianças possam abrir, senhora. – respondeu.
-Crianças e pessoas com deficiência, não? -disse eu.
-...
Nunca mais comprei o tal antisséptico.
Meu café da manhã resume-se, basicamente, a um copo de leite com chocolate. Há anos uso a mesma marca. Quando o lacre mudou e passou a ser destacável, com uma argolinha pra ajudar na retirada, adorei. Nada mais de facas pra cortar o alumínio, nem rebarbas perigosas na lata. Bastava encaixar o dedo e puxar. Aí, de repente, a argolinha foi trocada por uma pequena lingüeta. Tentei segurar a lingüeta entre o indicador e o polegar e puxar...nada, sem força, a lingüeta escapava. Tentei com o médio...nada, escapava também. Tentei por mais força e...a lingüeta rasgou. Que raiva! A saída foi voltar à faca e ligar pro SAC.
- Por que vocês mudaram esse lacre?? Por que trocar a argolinha pela lingüeta??
- Segundo nossas pesquisas, a lingüeta é mais "moderna".
- Como pode ser moderno algo pouco funcional, que dificulta a abertura da embalagem? Principalmente por quem tem deficiência?
- ...
Passei a tomar café com leite mais vezes.
Filhote Luís Felipe precisou tomar um remédio. A tampa do frasco precisava ser pressionada pra baixo e girada ao mesmo tempo, para que se abrisse. Nem pensar! A solução foi não fechar o frasco completamente, para que a tal trava de segurança não me impedisse de ministrar o remédio ao meu filho. Com certeza, deveria ser pra "segurança" das crianças. Se eu, mãe, também não pudesse abrir o frasco do remédio, ele estaria mais seguro?
Existem muitos outros exemplos e tenho certeza de que todos, independentemente de terem deficiência, já se irritaram por não conseguir abrir uma tampa ou tirar um lacre, um selo protetor.
Luto por acessibilidade, rampas e tantas outras coisas importantes a todos em locais públicos. O meu dia a dia, porém, é dentro de casa, cuidando de meus filhos, das tarefas domésticas, dando aulas etc , sozinha a maior parte do dia. Minha autonomia depende também de pequenos detalhes, que facilitam ou dificultam minhas atividades. Quando pego uma embalagem que não consigo abrir, sinto-me frustrada e com raiva do fabricante.
Diante de tanta "modernidade" e "segurança", minha opção é continuar usando facas, deixando tampas mal fechadas e reclamando aos SAC.
Sexta-feira, Março 14, 2008
Segunda-feira, Dezembro 31, 2007
" Uma estrela vai brilhar, no meu caminho O meu dia vai chegar, Com muito amor no coração, eu vou seguindo Tudo então vai clarear, uma estrela vai brilhar"Do nada, lembrei dessa musiquinha que foi sucesso em tempos remotos... Que em 2008, todos tenham uma estrela iluminando seus caminhos e que o dia de realizar aquele projeto, sonho e tudo mais de bom, chegue neste novo ano. Feliz 2008!
Sexta-feira, Novembro 30, 2007
Feliz aniversário!!!!!!!!!  Hoje, meu bebezinho faz 3 aninhos! Nossa! Como passou rápido! Luís Felipe, com apenas 3 anos, é dono de uma personalidade forte e marcante. Encantador, bravo, inteligentíssimo, alegre, exigente, vive cantando, ama os Backyardigans e o Barney, ama o Teté (Ricardinho), tagarela, birrento, impaciente, enfim, maravilhoso. Para comemorar vou repartir aqui as reinações desse meu reinadorzinho: I - Lipe escovando os dentes: - Mamãe, outro dia o Teté pegou a pasta vazia e encheu de água e eu sacudi. - Você e seu irmão só aprontam arte, mesmo. - Não, mamãe! A gente não é bagunceiro! A gente só faz coisas que adulto não pode fazer! II - Mamãe preparando sanduiche pra Lipinho e uma formiga andando na toalha: - Vou tirar esta formiga daqui. Ou você quer comer a formiga? - Mamãe, você tá falando bobeira! Eu não gosto quando você fala bobeira! Você é inteligente. Então por que perguntou se eu quero comer formiga? Parabéns amorzinho, que sua luz continue nos iluminando e nos fazendo tão felizes!
Domingo, Setembro 23, 2007
Prêmio SentidosAmanhã (24/09), será a final do Prêmio. Não fui classificada entre os três finalistas, mas tem gente muito boa concorrendo. Tenho meus favoritos: gente como a gente; arte; esporte; literaturaSorte pra eles! Up Date: Valeu minha torcida! Somente em Literatura, minha favorita não venceu (ficou em 2° lugar), todos os outros foram vencedores! Parabéns a eles! Parabéns a todos os participantes, afinal, encarar um concurso não é nada fácil.
Quinta-feira, Setembro 06, 2007
I Premio SentidosA Revista Sentidos lançou, neste ano, o I Prêmio Sentidos, que visa premiar pessoas com deficiência nas categorias "gente como a gente" (depoimentos), "talentos especiais" (artes, esporte, literatura) e menção honrosa (voltado a ações do terceiro setor). Foram 301 inscritos e 60, dez em cada categoria, foram pré selecionadas. Quando eu soube do prêmio, tive um impulso de me inscrever no "gente como a gente", pois acho legal, sobretudo, falar sobre maternidade de cadeirantes. Mas, como quem me conhece sabe, sou resistente a ser vista como exemplo disso ou daquilo aí desisti. Achei uma outra alternativa: increver meu livro o "Rodas, pra que te quero!". É com muito prazer que reparto com vocês a alegria de estar entre os dez finalistas de Literatura. Dos dez selecionados, sairão três que participarão da cerimônia de premiação e, somente lá, será anunciado o vencedor de cada categoria. O prêmio consiste, basicamente, em exposição na mídia da obra vencedora e seu autor Torçam por mim!
Terça-feira, Agosto 28, 2007
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